Viva!
Gostamos de lhe trazer primeiro as boas notícias – e nas últimas semanas têm sido animadoras. O último resumo que tenho à mão quando lhe escrevo é este: mais um dia sem mortes, R(t) controlado e incidência continua a cair; Há menos concelhos acima do nível de risco: são agora 15 no continente. Parecemos ter dobrado de novo o cabo da Boa Esperança, sobretudo agora, quando Portugal acelera o ritmo da vacinação contra a covid também na população com menos de 65 anos.
É tempo para respirar fundo, mas ainda com a obrigação de lhe lembrar, por exemplo, este caso – “descontração” e “distração” levaram Lamego para o vermelho – para nos lembrarmos que esta viagem ainda não acabou.
Nestes dias, o tema mais falado do país foi esse: o de uma comemoração que acabou num problema. Estou a falar, claro, da festa de vitória do Sporting, que levou o Presidente da República a deixar o alerta que faz a manchete do Expresso desta semana: Marcelo sobre a festa do Sporting: “Espero que aprendam. São todos responsáveis”. Neste caso, não foi bem descontração, foi mesmo um falhanço, depois de alertas que não foram ouvidos. Como este: PSP aconselhou um cenário e desaconselhou outros dois em ofício ao MAI. Mas o Ministério não ouviu, apesar de a viagem ainda não ter acabado. Esperemos que os números não voltem a subir (via das dúvidas, se esteve nos festejos do Sporting, este texto é para si).
Já lá vou aos motivos da festa, não me esqueço.
Antes, queria recomendar-lhe uma entrevista que fizemos a Daniel Sampaio há poucas semanas, que serve na perfeição para este meu alerta: “Houve momentos em que achava que me devia deixar morrer”.
Prossigo a nossa viagem pelas últimas semanas por outro falhanço, o do Estado em Odemira. Não vou lembrar-lhe o filme, sei que o tem bem presente. Mas vou deixar-lhe duas pistas que acrescentamos aqui no Expresso, para perceber como ele ainda está longe de terminado também: Ministro do Ambiente de “olhos fechados” à expansão de estufas em Odemira; Escravos do mundo rural: imigrantes trabalham por 100 euros... ou nada. E mais este link, porque Casos como o de Odemira repetem-se noutros pontos do país.
Mas este mês falámos bastante sobre outros casos, antes esquecidos, agora trazidos a público, que também nos obrigaram a pensar. Falo-lhe dos casos de assédio. Por aqui, começámos com a denúncia de Catarina Furtado: “Fui assediada por três pessoas com posições hierárquicas superiores”. Passámos por Leonor Poeiras: “Fui assediada pelo meu psicanalista”. Continuámos com Sofia, Sofia, Joana, Joana, Cláudia e Débora têm histórias de homens que assediam. Falam de humilhações, estaladas e impunidades. Dizia eu que nos obrigou a pensar, por exemplo, como os limites entre o que é sedução e assédio não são claros, mas também não são subjetivos isto porque, de repente, começou a discussão dura sobre se há casos e casos e se as mulheres têm mesmo de meter nomes nas coisas. Sobre isto, a minha recomendação é que leia a crónica da Carmo Afonso, porque me parece que diz tudo: Como é que se diz “Me Too” em português?
Mas o Expresso trouxe também motivos para sorrir nestas semanas, começando pelas entrevistas aos artistas portugueses, que se relançaram na estrada – e nos discos. Contámos o grito do Ipiranga de Ana Moura. A “mudança radical”, aos 41 anos, também este De Porto Covo com amor, com António Zambujo e, ainda, O amor e a arte segundo Salvador Sobral.
Mas – e eu prometi não falhar – também os motivos para sorrir no desporto, começando pela vitória do Sporting no campeonato. Seja ou não sportinguista (se for o caso, parabéns), recomendo muito que veja este nosso multimédia como se fez a estrelinha do campeão. Mas junte a isso estes textos da Tribuna: um sobre Rúben Amorim, o homem que fez 10 milhões de euros parecerem trocos esquecidos num bolso. E outro que faz título assim: "O meu pai ensinou-me que sentir o Sporting só faz sentido sem diminuir os outros": este título também é de quem já cá não está.
Esta semana, infelizmente, também nos tivemos de despedir de alguém muito querido do público: Vieste pra mim, Vieste pra cá, e de cá não saiu: Maria João Abreu 1964-2021.
De cá não saiu mesmo.
A mim, falando por nós aqui no Expresso, resta-me agradecer-lhe a sua companhia, a sua escolha, a sua preferência. Nós daqui não saímos, sempre tentando acrescentar aos seus dias.
Não esqueça as palavras de Tolentino em Fátima, neste 13 de maio: “Estes meses foram difíceis mas não foram vãos”. É um hino à esperança, aquilo que nos move todos os dias.
Até já,
David Dinis
ddinis@expresso.impresa.pt
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