sexta-feira, 10 de dezembro de 2021

OPINIÃO A vida de uma criança vale menos do que a vida de um idoso? Em Portugal parece que sim - HENRIQUE RAPOSO

OPINIÃO A vida de uma criança vale menos do que a vida de um idoso? Em Portugal parece que sim Henrique Raposo EXPRESSO Henrique Raposo A questão não é o valor da vida dos idosos, mas o valor da vida das crianças. E, em Portugal, um dos países mais envelhecidos do mundo e um dos países com menor taxa de natalidade, uma coisa tem sido clara: a vida das crianças vale menos do que a vida dos idosos, isso é claríssimo nas decisões que têm sido tomadas desde março de 2020. Somos o país que mais sacrificou as crianças ao longo destes dois anos e este desrespeito pelas crianças continua ativo 10 DEZEMBRO 2021 10:19 Fala-se muito da ideia do valor da vida. Ouvimos muitas vezes o discurso “a vida de um idoso não vale menos do que a vida de um adulto ou jovem”. É absolutamente verdade. Uma vida é uma vida. Critiquei Ramalho Eanes quando ele tentou inverter esta lógica. No entanto, julgo que os termos da conversa têm sido colocados ao contrário desde o início A questão não é o valor da vida dos idosos, mas o valor da vida das crianças. E, em Portugal, um dos países mais envelhecidos do mundo e um dos países com menor taxa de natalidade, uma coisa tem sido clara: a vida das crianças vale menos do que a vida dos idosos, isso é claríssimo nas decisões que têm sido tomadas desde março de 2020. Somos o país que mais sacrificou as crianças ao longo destes dois anos e este desrespeito pelas crianças continua ativo; continua na irracionalidade das quarentenas absurdas como se ainda estivéssemos em março de 2020; continua nesta obsessão irracional pela vacinação contra a covid de crianças saudáveis com uma vacina que não impede contágios. Lamento, mas a narrativa do medo tem de ser travada e a fronteira decisiva é mesmo esta, as crianças. Se não travarmos esta narrativa cada vez mais autoritária e hipocondríaca e dependente de um medo permanente e reavivado todos os dias, acabaremos em regimes que já terão muito pouco de democracia, liberdade e república. Na Nova Zelândia, já estão a pensar em proibir a venda de tabaco a pessoas nascidas após um determinado ano deste século. Depois proíbe-se qualquer alimento com açúcar e com gordura, e depois proíbe-se qualquer outra coisa e estigmatiza-se mais um grupo de pessoas, “os fumadores”, “os obesos”, “os que não vacinam as crianças”. O que se está a pensar em Portugal no que diz respeito à vacinação de crianças contra a covid é escandaloso. É escandaloso o sigilo da DGS. E, repito, a própria ideia de vacinar crianças com esta vacina é ilógica, é contrária à lógica da doença e da própria vacina. Vale a pena repetir sempre: a covid não é um problema para as crianças; outros vírus potenciados pelas medidas anticovid, como o VRS, é que são uma ameaça. As crianças transmitem menos os vírus do que os adultos. E, acima de tudo, esta vacina não impede a transmissão do vírus. Ao contrário do que acontece com as outras vacinas clássicas, como a do sarampo, uma pessoa vacinada contra a covid vai continuar a transmitir o vírus, porque esta vacina está pensada para diminuir os casos graves e o número de mortos. Então porque é que vamos vacinar crianças quando temos quase 90% da população vacinada? Lamento informar, mas vacinar 100% da população não tem como resultado zero mortos por covid. Mesmo com 100% da população vacinada, perdemos todos os invernos milhares ou centenas de pessoas para a covid, tal como antes perdíamos para a gripe. A obsessão com a vacinação de crianças tem no seu fundo esta ilusão do controlo humano sobre a realidade. Mas é disso que se trata: uma ilusão. Esta é uma doença endémica que não vai desaparecer e que matará sempre uma parcela minúscula dos mais frágeis durante os meses do inverno.

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