domingo, 21 de agosto de 2022

Daria Dugina morreu quando regressava a casa. Bomba colocada no SUV do pai, amigo de Putin, terá causado explosão - OBSERVADOR

Daria Dugina morreu quando regressava a casa. Bomba colocada no SUV do pai, amigo de Putin, terá causado explosão A filha do filósofo russo Alexander Dugin, considerado o ideólogo de Vladimir Putin, morreu no sábado à noite, alegadamente vítima de um atentado que visaria o pai. Ucrânia nega envolvimento. Agência Lusa Texto 21 ago 2022, 11:15 17 A filha do filósofo russo Alexander Dugin, considerado o ideólogo de Vladimir Putin, morreu no sábado à noite, alegadamente vítima de um atentado que visaria o pai, noticiou este domingo a agência russa TASS. Daria Dugina, 29 anos, jornalista e comentadora política, morreu na explosão do carro que conduzia na região de Moscovo, quando regressava a casa. A filial do Comité de Investigação para a região de Moscovo disse que a explosão terá sido causada por uma bomba colocada no SUV conduzido por Daria Dugina, segundo a TASS. O líder do movimento Horizonte Russo, Andrei Krasnov, amigo da família, disse que a viatura pertencia a Alexander Dugin e que ele seria o alvo. O filósofo ultranacionalista e a filha tinham sido convidados de honra do festival “Traditsiya [Tradição]”, realizado perto de Moscovo, onde Alexander Dugin deu uma palestra, segundo o canal britânico BBC. Os dois deveriam regressar do evento no mesmo carro, mas Dugin acabou por viajar em outra viatura, de acordo com o violinista Peter Lundstrem, que também assitiu ao festival. Um vídeo amador divulgado nas redes sociais, com uma imagem reproduzida pelo ‘site’ The Odessa Journal, alegadamente mostra Dugin em estado de choque próximo do carro em chamas e carros de bombeiros. A BBC, que faz referência às imagens, disse que não foi capaz de verificar o vídeo de forma independente. Os investigadores confirmaram que Daria Dugina morreu no local, perto da aldeia de Bolshiye Vyazemy. Nenhum suspeito foi imediatamente identificado, mas o líder separatista de Donetsk (leste da Ucrânia), Denis Pushilin, acusou os “terroristas do regime ucraniano” de terem “tentado matar Alexander Dugin”, segundo a agência norte-americana AP. Líder do Movimento Eurasiático, Alexander Dugin, 60 anos, tem sido descrito no Ocidente como “cérebro de Putin” e “guia espiritual” da invasão da Ucrânia, que o Presidente da Rússia ordenou em 24 de fevereiro, embora se desconheça se mantém contactos com o líder russo. Apoiante da invasão da Ucrânia, como o pai, Daria Dugina foi alvo de sanções das autoridades norte-americanas e britânicas, que a acusaram de contribuir para a desinformação em relação à guerra iniciada pela Rússia. Numa entrevista em maio, descreveu a guerra na Ucrânia como um “choque de civilizações” e manifestou orgulho por ela e o pai terem sido sancionados pelo Ocidente, segundo a BBC. Alexander Dugin também foi alvo de sanções dos Estados Unidos em 2015, na sequência da anexação da Crimeia pela Rússia, em 2014. Dugina era comentadora política do canal de televisão nacionalista Tsargrad. “Dasha, como o seu pai, sempre esteve na vanguarda do confronto com o Ocidente”, disse este domingo o canal, usando a forma familiar do nome da comentadora. Ucrânia nega envolvimento na morte de filha de filósofo russo A Ucrânia negou qualquer envolvimento na morte da filha do filósofo ultranacionalista russo Alexander Dugin, considerado o ideólogo do Presidente da Rússia, Vladimir Putin. Sublinho que a Ucrânia nada tem a ver com isto, porque não somos um Estado criminoso como a Federação Russa e não somos um Estado terrorista”, disse o conselheiro presidencial ucraniano Mikhail Podoliak, citado pela agência espanhola EFE. O conselheiro do Presidente Volodymyr Zelensky comentou que a Rússia começou a “desintegrar-se internamente” e que vários grupos estão a entrar em confronto numa luta pelo poder. Como parte deste confronto ideológico, a “pressão da informação” na sociedade está a crescer e a guerra na Ucrânia está a ser utilizada como uma via de fuga, enquanto setores nacionalistas se estão a radicalizar ainda mais, acrescentou Podoliak. As declarações de Podoliak surgiram depois de o líder pró-russo da região separatista de Donetsk, no leste da Ucrânia, ter acusado o regime de Kiev de envolvimento no alegado atentado que vitimou Daria Dugina. “Numa tentativa de eliminar Alexander Dugin, os terroristas do regime ucraniano mataram a sua filha”, escreveu Denis Pushilin na rede social Telegram. O senador russo Andrei Klishas também considerou tratar-se de um “ataque inimigo” e exigiu que os autores sejam levados à justiça, segundo a EFE.

Forças Armadas portuguesas acompanham navios de guerra russos na passagem por mar português - OBSERVADOR

Forças Armadas portuguesas acompanham navios de guerra russos na passagem por mar português As Forças Armadas vão acompanhar dois navios de guerra russos no mar português, com destino ao Mediterrâneo, nos próximos dias, informou o EMGFA, assinalando que se trata de "um procedimento normal". Agência Lusa Texto 21 ago 2022, 15:48 O navios de guerra fazem reabastecimento durante a demonstração do 'Swordfish 2018', o maior exercício naval em Portugal, ao largo de Setúbal, 26 de junho de 2018. O maior exercício naval em Portugal, que tem como objetivo principal garantir os padrões elevados de prontidão e de interoperabilidade das forças navais e aéreas na resposta a um cenário de crise. Este exercício da Marinha envolve mais de dois mil militares, 14 navios (nove navios portugueses, dois navios espanhóis, um navio francês, um navio italiano e um navio inglês), e conta ainda com a participação da Força Aérea Portuguesa e da Força Aérea espanhola. RUI MINDERICO/LUSA
As Forças Armadas vão acompanhar dois navios de guerra russos no mar português, com destino ao Mediterrâneo, nos próximos dias, informou este domingo o EMGFA, assinalando que se trata de “um procedimento normal”. Em comunicado, o Estado-Maior-General das Forças Armadas (EMGFA) indica que, a partir da madrugada de segunda-feira e durante os dois dias seguintes, meios das Forças Armadas portuguesas vão acompanhar uma Força Naval da Federação Russa enquanto estiver a passar pela Zona Económica Exclusiva (ZEE) portuguesa. “Este é um procedimento normal, sempre que navios de guerra de países que não pertencem à NATO navegam dentro da ZEE portuguesa”, salienta o texto. Os dois navios de guerra russos irão transitar de norte para sul, vindos da Biscaia, em Espanha, e em direção ao mar Mediterrâneo, refere o comunicado, arescentando que o acompanhamento será feito enquanto os navios estiverem dentro da ZEE portuguesa.

Scholz. Putin tem de abandonar planos de conquista para negociar a paz - OBSERVADOR

Scholz. Putin tem de abandonar planos de conquista para negociar a paz O chanceler alemão, Olaf Scholz, reiterou que a Rússia tem de abandonar quaisquer planos de conquista da Ucrânia e respeitar a vontade dos ucranianos para ser possível negociar o fim da guerra. Agência Lusa Texto 21 ago 2022, 15:14 ▲O chanceler alemão, Olaf Scholz, falou este domingo num encontro com cidadãos por ocasião do dia de abertura da Chancelaria em Berlim Descobrir O chanceler alemão, Olaf Scholz, reiterou este domingo que a Rússia tem de abandonar quaisquer planos de conquista da Ucrânia e respeitar a vontade dos ucranianos para ser possível negociar o fim da guerra.
“Não aceitaremos uma paz que o Governo, o Parlamento e o povo da Ucrânia não possam aceitar”, disse Scholz num encontro com cidadãos por ocasião do dia de abertura da Chancelaria em Berlim, segundo a agência espanhola EFE. Scholz afirmou que o Presidente russo, Vladimir Putin, iniciou o conflito com a “clara intenção” de anexar o país vizinho em parte ou na totalidade. Com a invasão lançada em 24 de fevereiro deste ano, Putin rompeu com um acordo de décadas na Europa de não alterar as fronteiras pela força, referiu o chefe do Governo alemão. Scholz disse que a Rússia deve compreender que as sanções ocidentais não serão levantadas enquanto não for alcançado um “acordo justo” com a Ucrânia. “Mas, ainda não estamos lá”, afirmou o dirigente social-democrata, que lidera um executivo de coligação com os verdes e os liberais. Scholz disse também que continuará a falar com Putin, embora reconhecendo que as conversas com o líder russo são complicadas, mesmo que não sejam realizadas em “mesas de sete metros de comprimento”, mas sim por telefone. “É preciso ser claro e não ser intimidado”, disse, depois de se referir à mesa longa que Putin tem usado em encontros com dirigentes ocidentais. À pergunta de um participante no encontro se a guerra não poderia ter sido evitada com uma posição menos beligerante da NATO, Scholz disse que Putin já tinha planeado a invasão da Ucrânia pelo menos há um ou dois anos. O chanceler alemão recordou que na sua última conversa com Putin, disse que o Presidente russo sabia que a adesão da Ucrânia à NATO não estava na ordem do dia. Disse que repetiu essa mensagem na conferência de imprensa após o encontro para que a Rússia não a usasse como argumento para a guerra. “Com o Presidente ucraniano [Volodymyr Zelensky] tínhamos um acordo sobre um caminho que teria levado à dissolução desta preocupação”, disse, referindo que tudo foi ultrapassado com a eclosão da guerra. “A NATO nunca foi uma ameaça para a Rússia”, afirmou. Scholz acrescentou que não havia qualquer motivo para a guerra, além da declaração pública de Putin de que a Bielorrússia e a Ucrânia não são Estados reais, e devem pertencer à Rússia, algo que qualificou como “totalmente absurdo”. A guerra pôs a descoberto a dependência europeia da energia russa, incluindo a Alemanha, que cancelou a entrada em funcionamento do segundo gasoduto direto com a Rússia após a invasão da Ucrânia. Recentemente, Scholz defendeu que a redução da dependência de gás russo passa por um gasoduto que transporte gás a partir de Portugal através de Espanha e França para o resto da Europa. A poucos dias de completar seis meses, desconhece-se o número de baixas civis e militares no conflito, mas diversas fontes, incluindo a ONU, têm alertado que será elevado. A guerra provocou também 12 milhões de refugiados e de deslocados internos. A União Europeia e países como os Estados Unidos, o Reino Unido ou o Japão têm decretado sucessivos pacotes de sanções contra interesses russos e fornecido armas à Ucrânia.

Capa Correio da Manhã, domingo 21 de Agosto 2022