Viva!
Voltámos a ter boas notícias: o confinamento resultou e levou Portugal de pior a melhor do mundo, em contraciclo com o resto da Europa. Com isto, voltámos a conjugar o verbo “desconfinar”. “Estamos numa zona segura”, anunciou António Costa ainda antes da Páscoa, dando ordem para o verbo avançar. O verbo “desconfinar”, porém, não está isento de riscos – e hoje que lhe escrevo esta carta mensal, lembrando o que de melhor fizemos durante o último mês, devo mesmo sublinhar esse outro verbo: cuidar. Cuidar de si, cuidar dos seus, cuidar dos outros.
Ora veja, o plano de desconfinamento avança (e isto é o que vai poder fazer agora), mas ainda agora voltámos ao verbo e já há 19 concelhos acima do limiar e 64 vizinhos também em risco de travar. Vale a pena abrir o texto, para ver se algum é o seu – e também para perceber as regras de trava-arranca com que vamos ter de conviver nos próximos meses. Pelo menos, digamos, até que a campanha de vacinação nos dê segurança de grupo. Digo segurança, porque talvez não seja imunidade – como disse já o chefe da Task Force de vacinação. Por agora, estamos assim: 80% dos idosos em Portugal com mais de 80 anos já tomaram uma dose.
Dito tudo isto, fica ainda a bater aquela pergunta que fez um dos títulos que mais novos assinantes trouxe ao Expresso este mês: “Há mesmo risco de que isto nunca acabe?”. O que sabemos é que, ao fim de um ano disto, já se sente um cansaço intimidante, perigoso até.
Chega de covid, seguimos em frente, porque (acredite) nos próximos dias vamos mesmo ter outras notícias a abrir telejornais (e o site do Expresso, necessariamente). José Sócrates sabe no próximo dia 9 de abril, sexta-feira, se irá ou não a julgamento. Esta semana antecipámos o tema, deixando pistas para pensar.
Pista 1: e se Sócrates não for julgado por corrupção? Como explica o texto da edição desta semana, a dificuldade em provar o crime de corrupção levanta dúvidas sobre todo o processo.
Pista 2: aconteça o que acontecer, virá “bomba” na política... ou na justiça. E “ele não ficará quieto”. O texto de Vítor Matos ouve, sobre isto, fiéis amigos, ex-companheiros de partido e também adversários.
Pista 3: será que “isto pode voltar a acontecer”? Ou o sistema político protegeu-se de novos casos deste tipo?
O caso segue dentro de momentos, mas entretanto pode ler sobre a série que João Miguel Tavares escreveu e que jura que não é sobre este caso, embora meta um político em prisão domiciliária, um motorista e malas com dinheiro. Sim, é sobre crime no poder.
Nestes dias, o Expresso fez uma manchete que não é sobre crime, mas parece ter mudado as relações de poder no país. Dizia assim: “Governo ameaça com TC para travar aumento de apoios sociais”. E, agora que se confirmou, sente-se o impacto: uma coligação de partidos da oposição contra o Governo (e a mexer no Orçamento); um Presidente a deixar o PM sozinho (embora avisando os partidos) e o Bloco e PCP a fazerem acerto de contas com o Governo. Parece que o caldo está entornado. Vai daí recomendo a nossa manchete desta semana, que faz a “Circulatura do Quadrado”: “Marcelo quer garantir dois OE aprovados”.
Porque esta carta já vai longa, deixo-lhe apenas mais algumas recomendações de leitura do Expresso das últimas semanas, daquelas que não se perdem no tempo – e que foram muito bem acolhidas pelos nossos leitores e assinantes.
- O gestor de fortunas que trata do dinheiro de Ronaldo (e de outras estrelas)
- Outsystems: a programar é que a gente se entende
- Fernão de Magalhães: o homem que o matou é um herói nas Filipinas
- A vingança dos bichos e a morte dos oceanos (se acham que a covid foi um azar, desenganem-se)
Dito isto, voltemos à conjugação dos dois verbos: desconfinar; cuidar.
Nós vamos manter-nos assim, e por aqui – ao seu lado.
Obrigado pela confiança,
Um dia bom.
David Dinis
ddinis@expresso.impresa.pt
Sem comentários:
Enviar um comentário