quarta-feira, 4 de maio de 2022

5 coisas que importam hoje: Khashin, Mariupol, Covid-19, Combustíveis e Coreia

5 coisas que importam hoje: Khashin, Mariupol, Covid-19, Combustíveis e Coreia Novo Dia CNN qua, 04/05/2022 08:57
Newsletter CNN Novo Dia. 5 coisas que importam. Qua, 04 mai 2022 A União Europeia anunciou, esta quarta-feira, um novo pacote de sanções à Rússia, onde se inclui a proibição de importação de todo o petróleo russo. Por cá continuam as contas aos preços do combustível: afinal, quanto baixaram? E quanto custariam sem o corte do imposto sobre os produtos petrolíferos? Estas e outras notícias para ler esta quarta-feira. Bom dia! Por Andreia Miranda A PSP reforça a partir desta quarta-feira a presença policial nas vias rodoviárias urbanas devido ao previsível aumento de peregrinos na estrada que se deslocam para Fátima. A operação “Peregrinação a Fátima 2022” vai decorrer até 15 de maio e tem como objetivo contribuir para o aumento da segurança rodoviária e dos peregrinos. [Foto: Associated Press] 1. Khashin Khashin Igor Khashin, o cidadão russo que tem estado sob polémica por suspeitas de ter ligações a Putin e de estar a acolher em conjunto com a Câmara Municipal de Setúbal refugiados da guerra, chegou a denunciar ao Kremlin a existência, em Portugal, de ucranianos que classificou como "elementos radicais". Em 2015, em entrevista ao Ministério dos Negócios Estrangeiros de Moscovo, o russo afirmava que a "a situação é definitivamente tensa" em Portugal perante a "grande onda de refugiados", vindas de várias zona da Ucrânia. 2. Mariupol Mariupol O governador de Donetsk anunciou, pouco passava das 7 da manhã em Lisboa, que já tinham saído mais autocarros de Mariupol a caminho de Zaporizhzhia. Na mensagem divulgada no canal de Telegram de Pavlo Kirilenko, podia ler-se que a coluna humanitária, que conta com o apoio das Nações Unidas e da Cruz Vermelha, deixou a região de Azov. Os autocarros vão fazer algumas paragens e, em Tokmak, os civis em carros particulares podem juntar-se à coluna. Na terça-feira, mais de cem civis chegaram a Zaporizhzhia depois de vários dias de viagem desde Mariupol. 3. Covid-19 Covid-19 A queda da obrigatoriedade da máscara em locais como escolas, supermercados ou centros comerciais já se começa a notar e, nas próximas semanas, o número de novos casos de covid-19 pode atingir os 15 mil por dia. A previsão é feita por Henrique Oliveira, professor do Instituto Superior Técnico, que diz ainda à CNN Portugal que esse número só se verificará caso se continuem a realizar testes de forma regular, o que nem sempre tem acontecido. 4. Combustíveis Combustíveis O governo desceu o imposto sobre os produtos petrolíferos, para atingir um efeito semelhante a uma descida do IVA de 23 por cento para 13 por cento. Mas, na realidade, numa ida às bombas a descida não é tão acentuada. Afinal, qual é o desconto nos combustíveis? Quanto custariam sem o corte do imposto? Contas feitas pelo Ministério das Finanças e enviadas à CNN Portugal mostram que, caso não tivesse existido mexida no imposto, atestar depósito de 50 litros custaria hoje mais 10 euros. Veja aqui as contas. 5. Coreia Coreia A Coreia do Norte lançou um possível míssil balístico em direção ao leste, naquele que é já o 14.º lançamento realizado por Pyongyang desde o início do ano. Segundo o Ministério da Defesa do Japão, o míssil voou cerca de 500 quilómetros e atingiu os 800 quilómetros de altitude. O lançamento, que ocorre a menos de uma semana da tomada de posse do presidente sul-coreano, Yon Suk-yeol, que prometeu ser mais restrito em relação ao vizinho do Norte, já foi condenado pelo Conselho de Segurança Nacional da Coreia do Sul.
Acontece hoje Guerra O presidente do Conselho Europeu desloca-se à Moldova, uma semana depois dos Estados Unidos terem alertado para as tentativas de “aumentar as tensões” na região separatista moldova pró-russa da Transnístria, na fronteira com a Ucrânia. Pedrógão As alegações finais do julgamento para apurar eventuais responsabilidades criminais nos incêndios de Pedrógão Grande, em junho de 2017, começam hoje no Tribunal Judicial de Leiria. O dia de hoje está reservado ao Ministério Público. As alegações finais começam às 09:30 pela procuradora da República Ana Mexia. Contestação Trabalhadores do Hospital da Cruz Vermelha Portuguesa, em Lisboa, realizam um novo plenário em defesa do Acordo de Empresa e depois de uma audiência inconclusiva no Ministério do Trabalho. Cultura O Festival Internacional Literatura e Língua Portuguesa Lisboa 5L cumpre a terceira edição entre hoje e domingo, mas é a primeira verdadeiramente presencial, ocupando quase trinta espaços da cidade, depois de dois anos marcados pela pandemia da covid-19. Banca O Tribunal da Concorrência começa a julgar os recursos do Montepio e três ex-administradores às coimas aplicadas pelo Banco de Portugal por incumprimentos quanto a investimentos, nomeadamente em dívida da PT Finance. "Se a Rússia usar a arma nuclear, acaba com a Humanidade, não com a guerra" Dmitri Mouratov, jornalista russo e Prémio Nobel da Paz 2021

'Esportokratura': como Vladimir Putin promove imagem de esportista com objetivos políticos dentro e fora da Rússia. NOTA DO BLOG: leiam tudo com muita atenção até ao fim.

'Esportokratura': como Vladimir Putin promove imagem de esportista com objetivos políticos dentro e fora da Rússia Para pesquisador francês Lukas Aubin, que cunhou o termo, culto ao corpo exaltado pelo líder russo ajudou na consolidação de sua imagem, que hoje se confunde com a do próprio país Vivian Oswald, especial para O Globo Vladimir Putin, presidente da Rússia, cavalga nos arredores da cidade de Kyzyl, no Sul da Sibéria, em 2009 Foto: Alexsey Druginyn / AFP
LONDRES — O presidente da Rússia, Vladimir Putin, já foi chamado de tudo nesta vida. Ditador, autocrata, espião e mafioso. Agora, soma-se a essa coleção de rótulos um talvez menos pejorativo: “esportokrata”. O líder russo seria o dirigente — e maior praticante — da “esportokratura”, um sistema híbrido e único, criado a sua imagem e semelhança. Mistura das palavras “esporte”, “kratos” (da mitologia grega, poder) e “nomenklatura” (expressão que se refere à elite soviética), o neologismo criado pelo francês Lukas Aubin descreve a máquina que fez do esporte uma ferramenta de poder na Rússia contemporânea, e que tem em Putin sua figura central. É a partir dela que o governo estaria construindo uma narrativa para a reinvenção do maior país do mundo nestes 30 anos que se seguiram ao colapso da URSS. — Um sistema político-econômico-esportivo para organizar a população, estimular o patriotismo, perenizar o exercício do poder e permitir que o país exista na cena internacional de maneira positiva, ou simplesmente exista — disse Aubin ao GLOBO. Crises e retrocessos:Trinta anos após fim da URSS, Rússia não superou trauma da transição econômica e da perda de poder Especialista em geopolítica da Rússia e do esporte da Universidade Paris-Nanterre, ele lançou este ano o livro “La Sportokratura sous Vladimir Poutine” (“A Esportokratura sob Vladimir Putin”, em tradução livre). A ideia lhe ocorreu em uma cabana de madeira à beira do Lago Baikal, na Sibéria, quando de uma de suas muitas viagens à Rússia. Ali, se deu conta de que o culto ao corpo e à imagem de Putin — sempre exibido praticando com desenvoltura judô, sambo (arte marcial russa), hóquei e tantos outros esportes — não era ao acaso. Era estratégia deliberada de construção da marca Putin, que hoje se confunde com a nova Rússia. Quem não se lembra das imagens do presidente todo-poderoso no jogo de gala de hóquei em maio de 2019 marcando nada menos do que oito dos 14 gols de sua equipe (vencedora) na partida? — Um homem forte, saudável. A antítese de Boris Yeltsin, que marca um período de caos dos anos 1990 no imaginário coletivo, de crise econômica e ideológica — afirma Aubin. 'Medidas militares e técnicas': Putin culpa Ocidente por tensões desde fim da Guerra Fria e pede 'conversas sérias' com Otan sobre segurança Para o líder russo, segundo o autor, mais do que a prática de exercícios, o esporte é maneira de se apropriar e responder à ideia do mito nacional da “potência russa milenar depositária e guardiã de valores tradicionais”. Transformou sua imagem em uma espécie de arquétipo do novo homem russo. Fez com que sua figura deixasse de ser a de um simples presidente. “O povo russo foi oprimido pelo comunismo e destruído pelo capitalismo? É preciso reerguê-lo fisicamente”, escreve. Aliados próximos de Putin e governadores, escolhidos a dedo — e cada vez mais jovens — glorificam o esporte na prática e no discurso. “A geração de Putin dá lugar à geração Putin”, destacA Políticos, atletas e oligarcas O sistema replica o caráter vertical e autoritário do regime soviético, com pitadas de capitalismo e liberalismo. Usa influência e recursos dos oligarcas, que têm negócios no mundo inteiro, em torno de um objetivo comum. A partir dessa engrenagem, o esporte seria controlado por três categorias. Os políticos liderados por Putin, que se encarregam da organização do sistema estatal; os oligarcas, que investem no meio esportivo, entre clubes, infraestrutura e federações, para ressuscitar o segmento abandonado desde o fim da URSS; e os atletas de alto nível, com seu valor patriótico, modelos de inspiração. Tempos difíceis:Vladimir Putin revela que trabalhou como motorista após fim da União Soviética A estratégia foi bem sucedida em boa parte do tempo. Internamente, a mutação física da elite estimulou o orgulho nacional e foi absorvida pela população. Putin é a representação da nação. Ao controlar o próprio corpo (atleta, não bebe, não fuma), prova ser capaz de controlar o país. Mostrar força é respeitar a identidade. Esta terá sido uma das principais razões para a queda em indicadores sempre trágicos de alcoolismo e tabagismo na Rússia, segundo Aubin. Aqueles que praticam esporte passaram de 20% a 40% da população entre 2000 e 2020. — Não é proselitismo governamental. São números da Organização Mundial da Saúde (OMS) — disse. O início da pandemia da Covid-19 reforçou o poder politico do esporte. As equipes de futebol Zenith São Petersburgo e Gazprom ofereceram em março duas doses do imunizante Sputnik V aos torcedores que assistissem a uma de suas partidas. Atletas encheram as redes sociais com dicas de como treinar em casa. Para fora, a “esportokratura” permitiria a criação de uma nova imagem positiva, de força global. Era a Rússia explorando seu soft power partindo da narrativa do sport power. O país não mediu esforços ao investir na realização de dois dos três maiores eventos esportivos do planeta nos anos recentes. Seu grande renascimento foi nos Jogos de Inverno de Sochi, em 2014, quando a tocha olímpica ganhou formato de pena da Fênix. Questão central:Ucrânia, o centro do tabuleiro geopolítico e emocional de Putin Mas a “esportokratura” tem suas fragilidades. A crise da Ucrânia, que acabou na anexação da Crimeia pelos russos, ofuscou os jogos. Em 2018, isolada e sob sanções, a Rússia realiza a Copa do Mundo. Foi uma festa bem sucedida que mostrou uma Rússia aberta como nunca. Porém, lembra Aubin, fortalecida pela experiência ultraliberal, a população se voltou contra o poder central em manifestações contra a reforma da previdência. Guerra fria no esporte O escândalo do doping também evidencia as vulnerabilidades da “esportokratura”. Em 2020, a equipe russa foi suspensa por quatro anos das Olimpíadas. Um banho de água fria para os “esportokratas”. Ao mesmo tempo, segundo Aubin, revela que a Guerra Fria não terminou. Para a “esportokratura”, o doping na Rússia está dentro da média mundial. Para os americanos, é um sistema de dopagem de Estado pilotado pelo Kremlin. — É a nova guerra fria do esporte, com novos códigos. Crescente tensão:Kremlin classifica relações com EUA de 'bastante lamentáveis' e diz não esperar avanço em conversa entre Putin e Biden Aubin afirma que o projeto de “Estratégia do desenvolvimento da cultura física e de esportes da Federação da Rússia até 2030” oferece perspectivas sobretudo políticas para o futuro do esporte no país. A ideia é não perder de vista o que considera a “politização do esporte na cena internacional”. Para isso, o Kremlin pretende intensificar a cooperação esportiva junto a países em desenvolvimento. Espera, assim, mudar o equilíbrio nas instituições internacionais de esporte consideradas pró-americanas e pró-ocidentais. Outra ameaça ao futuro da “esportokratura” está nos riscos de se criar uma marca registrada em cima de uma pessoa. Legalmente, Putin pode continuar onde está até 2036, quando terá 84 anos. Já há quem o chame nas redes sociais de “dedushka Putin” (vovô Putin). Sem um nome claro para a sucessão, a Rússia é charada difícil de ser decifrada por especialistas. — É o grande paradoxo da Rússia contemporânea; Putin é sua maior força e principal fraqueza. O dia em que ele ou seu corpo falharem, o risco de o país falhar também é incrível. A Rússia sem Putin parece uma país em pleno caos.

Guerra mediática: propaganda russa aposta no medo, Ucrânia conquista a opinião pública ocidental com a ajuda das redes sociais

GUERRA NA UCRÂNIA Guerra mediática: propaganda russa aposta no medo, Ucrânia conquista a opinião pública ocidental com a ajuda das redes sociais Há muito tempo que Putin preparava a narrativa interna e externa para invadir a Ucrânia, mas desta vez foi surpreendido, dizem os especialistas: o líder russo não contava com uma tomada de posição tão forte por parte do Ocidente nem com o heroísmo mediático do Presidente ucraniano, que continua a inspirar a resistência no país e a ganhar a batalha da comunicação – pelo menos para já
3 MARÇO 2022 8:04 “Estamos a assistir a um novo tipo de guerra.” A frase é de Sandra Fernandes, especialista em relações entre a União Europeia e a Rússia. O acompanhamento mediático ao segundo de uma guerra não é novidade – aconteceu em 1991 na invasão do Iraque -, mas desta vez “tem outro significado, dada a condenação política da agressão de Putin”, aponta a investigadora da Universidade do Minho. A comunicação é central para entender o que se está a passar na Europa: enquanto que a Rússia está a apostar na sua máquina de propaganda já bem oleada, a Ucrânia está a garantir a resistência interna e o apoio da comunidade internacional através de uma comunicação moderna e auxiliada pelas novas tecnologias. Do lado russo, a estratégia de comunicação tem um foco: o medo. “O Kremlin está a seguir uma linha muito tradicional da propaganda: incutir o medo tanto no povo ucraniano como no mundo ocidental para atingir os objetivos”, aponta Nelson Ribeiro, investigador de média na Universidade Católica. Muito antes do início da invasão, o discurso interno de Putin foi construído à volta da ideia de que a Ucrânia é uma ameaça para a Rússia. Para isso, o Kremlin agitou o fantasma de um genocídio russo no país e acusou o governo ucraniano de ser nazi – duas acusações sem adesão à realidade. “Os espectadores da televisão russa na semana passada provavelmente ficaram a pensar que o país está apenas envolvido numa pequena operação [militar] no sul da Ucrânia, e que o governo ucraniano tem o objetivo de provocar uma guerra maior”, disse a analista política independente Tatyana Stanovaya ao “The Guardian”. “É totalmente possível que eu apoiasse Putin e a sua operação militar [se só visse a televisão russa]”, acrescentou. “Para justificar o ataque, Putin está a apresentar os inimigos como uns bárbaros que não merecem respeito”, resume Nelson Ribeiro – um processo que já aconteceu noutros conflitos bélicos como a Segunda Guerra Mundial e a Guerra no Iraque (de ambos os lados). Nos últimos dias, o regulador russo da comunicação social apertou ainda mais o cerco à cobertura mediática do conflito: proibiu o uso de expressões como “guerra”, “invasão” ou “ataque”; condicionou o acesso a várias redes sociais como o Twitter e o Facebook; ameaçou cortar a ligação à Wikipédia. Ao mesmo tempo, o parlamento russo aceitou uma proposta de lei que prevê penas de prisão até 15 anos para quem “criticar” o exército russo. Fora de portas, Putin e os seus aliados também têm subido o tom – inclusive reforçando a ameaça de um ataque nuclear. “Externamente, parece-me claro que a estratégia da Rússia não está a ser bem sucedida. E mesmo internamente, apesar das limitações à liberdade de imprensa, vai chegando alguma informação através de meios alternativos e há muitas franjas da sociedade russa que não estão a comprar esta narrativa [de Putin]”, vaticina Nelson Ribeiro. Photo by Fernando Gutierrez-Juarez/picture alliance via Getty Images) Photo by Fernando Gutierrez-Juarez/picture alliance via Getty Images) Esta semana, o historiador e tradutor Ian Garner apontou para uma ideia semelhante no Twitter: “Tenho estado a monitorizar as reações russas na rede social e estou mais convencido que o regime de Putin sobrestimou a sua habilidade de vencer a guerra de propaganda”, afirmou este académico que estudou e viveu em São Petersburgo. Na rede social VK, um clone russo do Facebook controlado pelo Kremlin, têm surgido várias publicações críticas da guerra. “O sentimento antiguerra existe, e uma parte desse sentimento está a sentir-se nas ruas”, analisava Garner, acrescentando que a narrativa histórica antinazi de Putin – para recuperar o sentimento nacionalista da Segunda Guerra Mundial – pode não estar a ser muito eficaz junto da sociedade russa. Além disso, as consequências das sanções e boicotes internacionais já estão a preocupar a população: “As pessoas no extremo oriente russo, onde os preços da comida já estão a disparar, não estão a entrar em pânico – mas também não estão propriamente felizes”, sinalizou Garner. Resumindo: “[Há] uma máquina de propaganda estagnada que sabe criar o caos e destruir, especialmente o Ocidente. Mas é uma máquina de propaganda de um império: não é ágil e não sabe responder à atualidade e aos esforços ucranianos e ocidentais”, garantiu Garner. Estes sinais não chegam para garantir que Putin vai falhar, mas abrem espaço às dúvidas: “Sem sinais de que o governo [russo] está a levar a sério a guerra nos média, será que as brechas do regime vão transformar-se em fissuras profundas nas narrativas da identidade russa?” UCRÂNIA: TRAVAR A GUERRA (TAMBÉM) NAS REDES SOCIAIS Do outro lado está a Ucrânia, para já em vantagem na batalha da comunicação. Muito do mérito é do seu Presidente: Volodymyr Zelensky é visto em todo o mundo como um líder ao lado do seu povo, algo que não se verificava antes do início do conflito. “Basicamente, ele era o líder mais popular num grupo de líderes impopulares. Agora é um ícone global”, apontou no Twitter P.W. Singer, cientista político norte-americano especializado em guerras do século XXI. A estratégia de Zelensky é completa e já teve vários momentos altos: rejeitou a “boleia” dos Estados Unidos para sair do país, continua sem arredar pé de Kiev, está em contacto regular com altos responsáveis políticos ocidentais e é rápido a dar conta disso mesmo nas redes sociais. (Photo by Thierry Monasse/Getty Images) (Photo by Thierry Monasse/Getty Images) Além disso, o governo ucraniano tem feito um trabalho regular para tentar desmobilizar o inimigo, tendo até criado um site para dar informações aos familiares dos soldados russos que foram enviados para a Ucrânia. “Há muito tempo que ninguém falava com o povo russo com tanto amor”, desabafou Ilya Krasilshchik, um ex-jornalista russo. Zelensky é um comediante de profissão feito chefe de Estado que é capaz de manter o humor enquanto olha a guerra nos olhos: “Da próxima vez vou tentar adiar o horário da guerra para falar com Mario Draghi numa hora específica”, escreveu na sexta-feira no Twitter, depois de o primeiro-ministro italiano comentar que Zelensky tinha falhado a hora combinada para uma conversa telefónica. “Uma das variáveis a ter em conta é a aposta da Ucrânia em comunicar com a opinião pública ocidental. E Bruxelas foi à boleia desta dinâmica”, nota Nelson Ribeiro. A figura de um herói mobilizou a população ucraniana e “colocou pressão” nos governos europeus. “Ou os regimes democráticos mostravam que estavam disponíveis para defender determinados valores que dizem ser os seus, ou abriam terreno fértil aos populistas”, defende o investigador. Inicialmente, a UE deu uma resposta dúbia à agressividade russa – mas rapidamente passou para o lado ucraniano, surpreendendo os especialistas. Já depois de aplicar sanções económicas à Rússia, Bruxelas suspendeu dois canais televisivos controlados pelo Kremlin. Grandes empresas tecnológicas, como a Apple e a Google, fizeram o mesmo. “Creio que a forte tomada de posição ocidental para limitar a expansão da narrativa russa surpreendeu Putin, o que não deixa de ser curioso”, diz Nelson Ribeiro. SABEMOS MESMO O QUE ESTÁ A ACONTECER? No primeiro dia do ataque, o mundo chorou a morte de um grupo de soldados ucranianos que resistiu ao avanço do exército russo na ilha Snake. A marinha ucraniana corrigiu a informação algum tempo depois: os soldados não tinham morrido e estavam “vivos e de boa saúde”. Zelensky disse que seis mil soldados russos faleceram na Ucrânia nos primeiros seis dias da invasão; a Rússia fala em menos de 500. Quem sabe? Paradoxalmente, a guerra com a maior cobertura mediática de sempre é também a mais difícil de cobrir. “Estamos numa guerra de informação e contra-informação, e é muito difícil distinguir entre informações reais e produzidas por ambos os lados para influenciar a opinião pública”, alerta Nelson Ribeiro. Os exemplos são vários: desde números e relatos errados, até imagens anteriores à guerra ou tiradas fora de contexto. As redes sociais são o palco principal da desinformação, mas também a combatem: “A validação das notícias está a ser feita de forma muito consistente e com mobilização da sociedade civil, incluindo nas redes sociais”, considera Sandra Fernandes. A rede internacional de fact-checking (IFCN), da qual faz parte o Polígrafo, criou o site “Ukraine Facts” com o objetivo de desmontar as notícias falsas que surgem diariamente na Internet. Ainda é cedo para saber quem serão os vencedores e derrotados deste conflito no terreno, mas já se sabe isto: “O elemento da comunicação política e social vai ter um peso no desfecho da guerra, porque tem impacto no posicionamento dos países, sobretudo os países democráticos”, resume Nelson Ribeiro.

Produtora russa que mostrou cartaz antiguerra em direto na própria televisão foi multada (para já). NOTA: Pesquisem no Google a frase atrás!

Produtora russa que mostrou cartaz antiguerra em direto na própria televisão foi multada (para já) Pedro Falardo | Cláudia Évora “Não tenham medo. Não nos podem prender a todos”. A mensagem da jornalista russa que expôs a guerra na Ucrânia Marina Ovsyannikova tornou-se um símbolo do movimento antiguerra na Rússia. Tudo começou com um cartaz Marina Ovsyannikova foi condenada ao pagamento de 30 mil rublos (aproximadamente 256 euros) por um vídeo que divulgou nas redes sociais, não sendo ainda claras quais as consequências da interrupção da emissão na emissora estatal A produtora Marina Ovsyannikova, que interrompeu a transmissão do próprio canal onde trabalha, a televisão estatal Rússia 1, com um cartaz antiguerra, foi presente a tribunal esta terça-feira, depois de ter sido detida. Numa foto publicada no Telegram, e divulgada pela Nexta, é possível ver Ovsyannikova com o seu advogado, o bielorrusso Anton Gashinsky. Foi multada, para já, em 30 mil rublos (aproximadamente 256 euros), mas esta multa está relacionada com um "crime" anterior, não sendo ainda claras as consequências da interrupção da emissão. Na segunda-feira, Ovsyannikova, editora e produtora do canal, segurou frente às câmaras um cartaz com a mensagem “parem a guerra, não acreditem na propaganda. Aqui estão a mentir-vos”, tendo a emissão sido rapidamente cortada para uma peça televisiva. O incidente ocorreu por volta das 21:30 locais e Ovsyannikova acabou por ser detida. Durante várias horas, não se conheceu o paradeiro da jornalista. Esta terça-feira, em comunicado, o Kremlin classificou o protesto como um ato de "hooliganismo". "No que diz respeito a esta mulher, isto é hooliganismo", escreveu o porta-voz Dmitry Peskov. Por sua vez, o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky, através do Telegram, deixou uma palavra de agradecimento pela coragem deste gesto de resistência: "Sou muito grato aos russos que não param de tentar transmitir a verdade, que lutam contra a desinformação." Antes de interromper a emissão da Rússia 1, Marina Ovsyannikova gravou e publicou um vídeo nas redes sociais no qual pedia desculpa pelo seu trabalho naquela televisão estatal, dizendo que o que estava a acontecer na Ucrânia era "um crime" e que Vladimir Putin era "um agressor". "Infelizmente, nos últimos anos, trabalhei no Rússia 1, trabalhei para a propaganda do Kremlin. Agora, tenho muita vergonha. Tenho vergonha por ter permitido que as mentiras fossem ditas nos ecrãs das televisões", disse. No mesmo vídeo, a produtora, filha de mãe russa e pai ucraniano, fez um apelo ao povo russo que não concorda com esta guerra: "Está nas nossas mãos parar com esta loucura. Saiam às ruas. Não tenham medo. Eles não nos podem prender a todos." "A minha mãe é russa, o meu pai é ucraniano e o colar que tenho ao pescoço [com as cores das bandeiras dos dois países] é o símbolo de esperança de que, um dia, os dois povos possam fazer as pazes." As televisões russas "têm optado" - a utilização das aspas deve-se ao facto do governo russo controlar os meios de comunicação social estatais - por não transmitir imagens da guerra. Expressão que, tal como Vladimir Putin, se recusam a utilizar, dizendo sempre que se trata de uma "operação militar especial" para "desnazificar" a Ucrânia.

A atitude PCP s/ a Guerra da Ucrânia - Expresso 2583 - NOTA BLOG: seleccionem link abaixo, cliquem c/ botão dtº do rato,depois IR PARA.NOTA DO BLOG: A atitude do PCP, ao mostrar-se capacho da Rússia, é de traição a Portugal e à Europa! Traidores não cabem numa democracia!

NOTA DO BLOG: A atitude do PCP, ao mostrar-se capacho da Rússia, é de traição a Portugal e à Europa! Traidores não cabem numa democracia! https://pdf.leitor.expresso.pt/infinity/article_popover_share.aspx?guid=3d0f875a-ae66-40a8-95bc-f7cba758b49c

Que imagem se quer de Portugal? Artigo do Expresso edição 2583. NOTA: Seleccionem o link abaixo, depois cliquem nele e cliquem IR PARA

https://pdf.leitor.expresso.pt/infinity/article_popover_share.aspx?guid=7c506e7f-94fd-4a2c-a54b-bbf99acb5156

CONDECORAÇÕES - PSD contra medalhas a Rosa Coutinho e Vasco Gonçalves

CONDECORAÇÕES PSD contra medalhas a Rosa Coutinho e Vasco Gonçalves
PSD é o único partido a colocar-se, pelo menos em parte, ao lado do Chega FOTO Tiago Miranda FOTO TIAGO MIRANDA Sociais-democratas acusam os dois militares de terem tentado transformar a democracia nascida da Revolução de 25 de Abril numa “nova ditadura” de sentido contrário LILIANA COELHO Apolémica decisão do Presidente da República de condecorar todos os militares de Abril está longe de ser consensual, tem sido alvo de críticas e divide os partidos. À esquerda, BE e PCP contestaram a condecoração ao general António de Spínola, enquanto o Chega manifestou-se desde logo contra a intenção de Marcelo de distinguir todos os militares envolvidos na Revolução dos Cravos. Até aqui em silêncio sobre o tema, o PSD assume agora ao Expresso que também não concorda com a atribuição generalizada de medalhas aos militares do 25 de Abril. E há dois nomes, em particular, que contam com a discordância dos sociais-democratas: Rosa Coutinho e Vasco Gonçalves. “São duas personalidades que, objetivamente, tentaram que a democracia conquistada em 25 de abril de 1974 se viesse a transformar numa nova ditadura de sinal contrário à que tinha acabado de ser derrubada”, diz ao Expresso fonte da direção do partido. Embora admita que a condecoração dos militares de Abril é “sempre suscetível de criar injustiças”, porque diz respeito a um “conceito relativamente vago” e não é fácil definir o “universo que abarca” face aos “diversos intervenientes”, o PSD entende que Rosa Coutinho e Vasco Gonçalves deviam estar fora da lista de medalhados a título póstumo. Para o PSD, ao pensar-se na Junta de Salvação Nacional e naqueles que mais se distinguiram no órgão de governo provisório instalado pelo Movimento das Forças Armadas em abril de 1974, esses dois militares “não podem merecer a concordância” do partido para “efeitos de uma condecoração pela democracia”. IL RECUSA PRONUNCIAR-SE SOBRE DECISÃO DE MARCELO Contactado pelo Expresso, o grupo parlamentar do Iniciativa Liberal (IL) escusou-se a comentar a decisão do chefe de Estado de condecorar os militares de Abril: “É uma questão do PR. Não é tema para o IL se pronunciar”, disse ao Expresso fonte do partido. O PSD é, assim, o único partido a colocar-se, pelo menos em parte, ao lado do Chega, cuja posição é conhecida (ver texto nesta página) e foi levada à tribuna na sessão solene do 25 de Abril no Parlamento, com André Ventura a dirigir-se diretamente ao PR. PSD diz que a condecoração dos militares de Abril é “sempre suscetível de criar injustiças” À esquerda, o Bloco e o PCP já se tinham insurgido também contra a decisão de Marcelo Rebelo de Sousa de condecorar todos os militares envolvidos na Revolução de Abril. Mas por razões e protagonistas diferentes. Francisco Louçã criticou este mês, em declarações ao Expresso, a distinção póstuma atribuída ao general António de Spínola, enquanto o PCP considerou que a homenagem não deve ser feita “aos que contra a Revolução conspiraram”, mas sim a todos os que contribuíram para que a “Revolução fosse possível”, com a “conquista da democracia e da liberdade”. A esquerda não esquece a alegada ligação de Spínola à organização de extrema-direita MDLP (Movimento Democrático de Libertação de Portugal) — responsável por vários atentados com bombas, que mataram o padre Maximino Barbosa de Sousa e a sua aluna Maria de Lurdes — e não concebe, por isso, que o ex-general possa ser condecorado ao lado de outros oficiais revolucionários. Já o PS saiu em defesa das condecorações a todos os militares de Abril, assumindo um tom harmonizador. Pedro Delgado Alves defendeu esta semana, em entrevista ao “Público”, o “intuito concilia­dor, abrangente, generoso e adequado ao 25 de Abril” das condecorações atribuídas pelo chefe de Estado. E na cerimónia solene do 48º aniversário do 25 de Abril no Parlamento, o deputado socialista voltou a realçar o objetivo concertador e reparador da história da decisão de Marcelo. “Comemorar o 25 de Abril é, em primeiro lugar, honrar a memória dos que resistiram, sofreram e tombaram para que a liberdade fosse possível”, declarou Pedro Delgado Alves, assinalando que este ano os dias em democracia superam o número de dias em ditadura. A proposta de condecorações foi feita por Vasco Lourenço, presidente da Associação 25 de Abril e é agora atendida pelo PR. Da lista constam 200 militares da Revolução. O capitão de Abril já se congratulou com a intenção do atual PR, considerando que Marcelo “acaba por ser quem faz a justiça de condecorar todos” os militares do 25 de Abril. O objetivo será condecorar todos os militares até ao fim das comemorações dos 50 anos da Revolução. Tal como o Expresso avançou, Marcelo vai deixar para 2024 as condecorações mais polémicas, como António de Spínola, Rosa Coutinho e Vasco Gonçalves.